PSOL rejeita parceria com PT, mas manifesta apoio à reeleição de Lula.
O Partido Socialismo e Liberdade (Psol) tomou uma decisão estratégica para as eleições de 2026 ao rejeitar, por ampla maioria, a proposta de formar federação com o PT, PCdoB e PV na Federação Brasil da Esperança. A votação ocorreu neste sábado (7), em reunião virtual do Diretório Nacional, com 76% dos votos contrários (47 a 15 em algumas contagens).
A legenda optou por renovar sua federação atual com a Rede Sustentabilidade por mais quatro anos, com 75,8% de aprovação. Apesar do “não” à união mais ampla, o Psol reafirmou apoio irrestrito à reeleição do presidente Lula (PT), abrindo mão de lançar candidato próprio ao Planalto para priorizar a unidade contra a extrema-direita.
A presidente nacional do Psol, Paula Coradi, destacou em nota o “debate democrático e amplo”, enfatizando respeito às divergências e foco em preservar a identidade partidária. A resolução final visa ampliar a bancada no Congresso e fortalecer o campo progressista sem diluir vozes independentes.
Decisões do Diretório Nacional do Psol para além da federação com o PT
Além da rejeição à federação PT, o diretório aprovou metas de expansão de cadeiras na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. A legenda planeja coligação presidencial com Lula, mas sem federação, o que permite alianças regionais flexíveis. Críticos da proposta PT argumentam que a federação forçaria apoios a partidos de centro-direita, como PSD e União Brasil, aliados petistas nos estados.
Decisão sobre possível federação entre Psol e PT acontece em meio a disputas internas
O racha expôs divisões entre correntes. A Revolução Solidária, liderada pelo ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência), defendia a federação para “coordenar forças eleitorais e fortalecer parlamentos”. Boulos sofreu revés, com sua ala migrando para o governo Lula sob pressão interna.
Deputados como Sâmia Bomfim (SP), Luiza Erundina, Ivan Valente, Glauber Braga e Chico Alencar (RJ) posicionaram-se contra. Eles defendem PSOL e PT como “complementares”: o petista para agendas de governo, o psolista para pautas radicais como ambientais e culturais. “Manter federações separadas amplia diversidade e apoio a Lula”, argumentam.
História do Psol
Fundado em 2004 como dissidência do PT, o PSOL surgiu de militantes contrários ao governo Lula por alianças com o centrão e políticas econômicas moderadas – o “Lula 1” escancarou fissuras após o Mensalão. Sob liderança de Heloísa Helena (primeira presidente), o partido se posicionou à esquerda do petismo, com bandeiras anti-neoliberalismo, anticapitalismo e defesa de minorias. Eleições marcantes incluem a candidatura de Boulos a prefeito de SP (2024) e bancada de 13 deputados federais.
Balanço de apoios a Lula
O PSOL soma-se a uma frente ampla pró-Lula. PT, PCdoB e PV já formam a Federação Brasil da Esperança. PCdoB confirma federação contínua. PV, sob pressão, tende a permanecer. Outros potenciais incluem PDT e PSB. Solidariedade e Agir flertam por palanques regionais.
Analistas veem a decisão psolista como vitória tática: preserva autonomia para fiscalizar Lula (como em reformas fiscais), mas garante palanque em 2026 contra bolsonarismo remanescente. “Reeleger Lula é desafio central; federação não apaga identidade”, tuitou Sâmia Bomfim.
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