Hapvida perde quase 100 bilhões e agora vale apenas 6 bilhões no mercado.
A Hapvida vive um momento crítico que reflete o conflito entre pressão financeira de curto prazo e o propósito essencial de uma empresa de saúde. Em dezembro de 2025, a companhia anunciou a sucessão do CEO Jorge Pinheiro para chairman executivo, com Luccas Adib, atual CFO, assumindo o cargo ao longo de 2026. Mais do que uma mudança de nomes, a transição evidencia uma crise profunda que se desenha há meses.
A empresa, que já foi chamada de “Amazon da saúde” e chegou a valer cerca de R$ 110 bilhões, perdeu mais de 50% de seu valor de mercado em 2025. A queda das ações foi impulsionada por resultados fracos, alta sinistralidade, queima de caixa e, principalmente, a perda acelerada de beneficiários. Estima-se que cerca de 60 mil clientes tenham deixado a operadora em um único trimestre, impactados por estratégias que priorizam redução artificial de sinistralidade, barreiras administrativas e negativas de cobertura.
Além do impacto financeiro, a Hapvida enfrenta denúncias graves de descumprimento de liminares e ações civis públicas, especialmente no Amazonas, envolvendo atendimento a crianças com autismo. O cenário levanta questões éticas fundamentais sobre a sustentabilidade de um modelo que lucra sobre a dificuldade dos clientes mais vulneráveis. Especialistas alertam que o foco exclusivo em resultados financeiros de curto prazo pode agravar ainda mais a perda de beneficiários e a pressão regulatória.
A nomeação do CFO Luccas Adib como novo CEO foi interpretada pelo mercado como um sinal de intensificação do foco financeiro. Contudo, analistas destacam que a recuperação sustentável de empresas reguladas de saúde depende de um reposicionamento cultural e de propósito, restaurando a confiança de beneficiários, médicos, reguladores e investidores. Sem esse equilíbrio, nenhuma engenharia financeira será suficiente para estabilizar a operação.
O futuro da Hapvida em 2026 permanece incerto. A empresa terá que conciliar eficiência operacional com responsabilidade social e ética, mostrando que a saúde não é uma commodity. A gestão do novo CEO será decisiva para determinar se a companhia conseguirá virar o jogo ou se está apenas no início de uma erosão mais estrutural de seu modelo verticalizado no Brasil.
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