Usuários de postos de saúde em Fortaleza reclamam da escassez de medicamentos essenciais
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Usuários de postos de saúde em Fortaleza reclamam da escassez de medicamentos essenciais

Usuários do sistema público de saúde em Fortaleza têm expressado preocupações sobre a escassez de medicamentos e as dificuldades para obter atendimento médico nas policlínicas e postos de saúde da cidade. As reclamações abrangem desde a falta de remédios essenciais para tratamento contínuo até a carência de profissionais para realização de consultas.

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Casos relatados por pacientes

Um exemplo é o da irmã de Áurea Beatriz Gonçalo, que depende diariamente de cinco medicamentos para controlar esquizofrenia, TDAH, transtorno borderline e epilepsia. Há mais de um mês, ela não consegue receber a olanzapina de 10 miligramas, crucial para a manutenção do controle das crises.

“Essa medicação é fundamental para evitar que ela tenha crises relacionadas à esquizofrenia. Se ela não tomar, pode ter uma crise a qualquer momento. Ela pode estar bem agora, mas em segundos pode passar mal”, explicou Áurea Beatriz Gonçalo.

Ao buscar informações na Policlínica Dr. José Eloy, localizada no bairro Bonsucesso, a resposta obtida foi sempre a mesma: não há previsão para reposição do medicamento. “Esse remédio é imprescindível. Ela pode ter todos os outros medicamentos disponíveis, mas sem esse, os demais não têm efeito”, acrescentou.

A situação não se limita apenas ao caso de Áurea; outros pacientes também enfrentam dificuldades. Maria Raimunda, beneficiária do BPC, necessita da gabapentina para aliviar dores provocadas por artrose e saiu da unidade sem conseguir o medicamento desta vez. “É complicado porque se tentamos comprar na farmácia, eles retêm a receita, e essa receita não pode ficar retida”, contou.

No posto de saúde Gothardo Peixoto, no bairro Damas, as instalações estão em reforma e aguardam autorização para reiniciar a distribuição dos medicamentos. Atualmente, os fármacos estão sendo entregues em outras unidades, mas os usuários reclamam principalmente da ausência de médicos nesse local.

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Dificuldades no acesso às consultas médicas em Fortaleza

A aposentada Silvana Moreira Barreto tentou acessar atendimento emergencial devido a uma forte gripe, mas não conseguiu ser atendida. “Vim com a expectativa de uma consulta urgente porque estou muito gripada e tossindo bastante. Ao chegar aqui, fui informada de que não havia médico disponível”, relatou.

A aposentada Fátima Roque também enfrentou problemas mesmo com uma consulta agendada previamente; sua falta de atendimento impediu-a de obter uma receita para seu tratamento contínuo. “Não consegui ser atendida porque não havia médico disponível. Uma doutora estava lá e saiu. E agora vou ter que voltar na segunda-feira só para remarcar?”, indagou.

Outros usuários compartilham da mesma insatisfação. “Aqui não tem médico, enfermeiro ou qualquer tipo de atendimento. Não tem nem vacina”, lamentou o aposentado Francisco Flávio.

No início do ano passado, Fortaleza passou por uma crise relacionada à falta de medicamentos. Na ocasião, o prefeito Evandro Leitão atribuiu o problema à gestão anterior e garantiu que a situação seria normalizada até maio daquele ano.

Pontos positivos no atendimento

<pApesar das críticas generalizadas, alguns pacientes relatam melhorias no atendimento quando comparado ao período anterior. Kátia Veríssimo mencionou que antes das reformas na unidade nunca havia problemas com o fornecimento dos medicamentos: “Quando estava funcionando normalmente, nunca faltavam remédios. Agora estamos há meses sem medicação devido à reforma”, explicou.

A aposentada Teresina Alves dos Santos teve uma experiência favorável após sua consulta eletiva:

“Desde que comecei a me consultar aqui após adoecer nunca faltou nenhum medicamento. A farmácia está aberta apesar das obras porque sempre há remédios disponíveis. O médico é excelente e o atendimento é muito bom”, destacou.

A Secretaria Municipal da Saúde comunicou que há previsão para entrega da gabapentina até o final deste mês na Policlínica Dr. José Eloy da Costa Filho e que a olanzapina 10 mg também deve ser reabastecida nessa unidade até o fim deste período.

Sobre o posto Gothardo Peixoto, foi informado que passa por requalificação visando aprimorar o atendimento à população e durante as obras os serviços estão sendo realizados no posto Oliveira Pombo, localizado no bairro Couto Fernandes.

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